O Espadachim de Carvão


O Espadachim de Carvão e o mundo fantasioso de por Affonso Solano vai lhe levar em uma incrível aventura pelo mundo de Kurgala. Com muitas mortes e mutilações, traições, criaturas fantásticas e algumas tetas, essa é uma obra que merece o seu dinheiro.

o espadachim de carvão

O Espadachim de Carvão

No começo de tudo, Kurgala era um enorme mar sem fim. E os espíritos de Abzuku e Tiamatu eram seus senhores, e nada mais além deles existia. E então um dia os Dingirï desceram dos céus, e seus nomes eram Anu’ När, o artesão, Enlil’ När, o viajante, Enki’ När, a voz, e Nintu’, a lança. Os Quatro Que São Um trouxeram presentes para Abzuku e Tiamatu, que ficaram tão alegres que permitiram que os quatro fizessem suas casas em Kurgala. E eles então criaram os mortais.

Tábuas Dingirï

Seja bem vindo ao mundo de Kurgala, um mundo fantasioso criado pelo autor Affonso Solano, cocriador do MRG (Matando Robôs Gigantes). Nesse mundo nós vamos acompanhar as aventuras de Adapak, filho de Enki När (ou será que não?) que se vê forçado a fugir e buscar ajuda quando sua casa, uma ilha mística onde ele e seu pai moravam, é acatada por inimigos desconhecidos.

Adapak é um ser completamente negro, daí o nome da obra, calvo, sem orelhas e sem nariz, apenas com os orifícios de onde estaria estas peças corporais, quase um Voldemort negão, mas diferente do antagonista do Harry Potter, o nosso herói é ingênuo e sem experiência com o mundo dos mortais, pois ele foi criado recluso com o seu pai, um dos deuses encarnados que deram origem a essa terra.

O espadachim de carvão foi treinado na arte dos círculos para que um dia pudesse se defender, e nisso ele se tornou muito bom. Praticamente ninguém é páreo para sua técnica e suas duas espadas gêmeas, mas o mundo é muito diferente daquele que ele aprendera nas enciclopédias em sua casa, o mundo é muito mais sombrio e injusto.

O espadachim de carvão foi um livro que me surpreendeu, admito que os primeiros capítulos foram um pouco chatos para mim, mas isso foi simplesmente porque eu ainda não estava na “sintonia” correta para a estória, provavelmente devido ao pouco tempo entre a leitura anterior, “Filhos do Fim do Mundo”, e essa, que aliás, basta você lê os resumos dessas obras para entender a extrema diferença, ou melhor, ler o post filhos do fim do mundo e ouvir o podcast M&V José! #13 – Filhos do Fim do Mundo. Mas depois de ultrapassado os três primeiros capítulos e ter me conformado com um certo problema que citarei logo adiante, a leitura correu natural, pelo menos na medida do possível.

Esse livro é uma boa prova que os escritores brasileiros têm a mesma qualidade que os gringos, afinal nem todo livro gringo é bom. O autor foi muito criativo em criar os habitantes desse mundo, tanto que confesso que muitas vezes tive dificuldade de imaginar alguns personagens, ou esquecia de suas aparências com certa rapidez, mas nada que atrapalhe a leitura. Ainda há um preconceito com livros de fantasia, e muitos pensam que esta categoria é apenas para crianças, ignorantes em suma que nunca se deram ao trabalho de lerem boas obras como o espadachim de carvão.

Esta obra é relativamente recente, lançada em 2013, entretanto Afonso Solano acabou de lançar mais uma aventura de Adapak, “Os Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur”, que está na minha lista de livros a serem adquiridos em futuro não muito distante, espero.

Ikibu seu fela da puta!
Jairan Rodrigues

Sobre a Versão

Já faz algum tempo que ando evitando comprar livrões em versão brochura, simplesmente pela sua fragilidade, sempre tenho a impressão que os meus livros desse tipo estão se deteriorando espontaneamente sem que eu possa fazer nada a respeito, em contraposição aos meus poucos de capa dura. Além disso, tem o frete que na maioria das vezes fica mais caro que o próprio livro, por essas e outras tenho adquirido muitos livros digitais e esse foi o caso do Espadachim de Carvão.

Porém os Digirï não sorriram para mim. O problema que citei pouco atrás é exatamente na “confecção” que veio com centenas de palavras coladas e até mesmo frases inteiras inteiramente coladas. Para exemplificar o que quero dizer leia essa frase: Sevocêestaconseguindolerissosemnenhumtipodeproblemaentãovocêéfodaparakaralho. Era exatamente esse tipo de coisa que li na versão do kindle. No início eu achei que fosse algum tipo de artifício gráfico do autor, mas logo percebi que não poderia ser, pois em toda “página” há várias palavras com esse problema, claro que nem todas são frases desse tamanho, mas há sim diálogos maiores que esse, inteiramente colados ou coisas como essa por exemplo: depoisdamanhã. Puta que pariu, que irritante.

Graças a isso, um livro de pouco mais de 300 “páginas” que eu leria em uma semana, demorei um mês. Além disso encontrei um erro de grafia. Não estou dizendo que a culpa é do Afonso Solano, longe disso, a culpa é do responsável por sua publicação e sua equipe.

Por fim, recomendo essa leitura para os fãs de fantasia, mas não na versão digital para o maravilho kindle.

update: 12/05/2016

resposta do affonso solano no twitter

Resposta do Affonso Solano no twitter.

Após eu ter marcado o Affonso Solano em twitter obtive uma resposta instantes depois. Como vocês podem ver na imagem acima, o autor prometeu entrar em contato com a editora para que eles corrijam as falhas da versão do kindle, agora é esperar. Caso eles me avisem que foram feitas as correções, postarei mais um update.


Sobre SrJairan

Formado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia, aspirante a escritor, fundador e administrador do site/podcast Morte & Vida José! E um apaixonado por natureza e cultura.